Certamente que isto é uma grande parte da nossa dignidade... que possamos conhecer e que, através de nós, a matéria possa conhecer-se a si própria; que, começando com protões e electrões, saídos do princípio dos tempos e da vastidão do espaço, possamos começar a entender; que, organizados como estão em nós, o hidrogénio, o carbono, o nitrogénio, o oxigénio, esses 16 a 21 elementos, a água, a luz do Sol- todos eles, tendo-se transformado em nós, possam começar a entender o que são, e como se tornaram nisso. George Wald (Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia) (1964)
domingo, 29 de maio de 2011
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Meu rio, contigo choro.
O Tejo desde a sua nascente até se encontrar com o Atlântico é "utilizado" para quase tudo, menos para aquilo que nasceu: DAR VIDA, por onde passa. Ao longo dos séculos todos os povos que se instalaram nas suas margens aprenderem a partilhar o quotidiano com as suas águas. Respeitaram-no em tempo de fúria porque das suas inundações ficava a 'nata' ou 'nateiro' que sempre fertilizaram as terras alagadas. Colhiam das suas entranhas a 'carne' que nele nascia, fizeram dele estrada que aproximou povoados. Os povos Árabes cedo se instalaram junto dele pela semelhança com o seu Nilo, também ele ciclicamente espalhava o 'nateiro' que alimentou gerações.
Depois veio o "progresso" (???), ainda em terras de Espanha o "TAJO" arrefece 'centrais nucleares' e é aprisionado (sem culpa formada) em represas gigantes. Entra em Portugal, alimenta industrias químicas lavam com ele pasta de papel e aprisionam-no outra vez. No nosso país chamam-lhe Tejo, faz da província que atravessa o 'celeiro' desta nação e como paga, envenenam-lhe o sangue e matam-lhe os filhos.
Numa das zonas mais enriquecidas pelo Rio (Benavente/Salvaterra-de-Magos) um Grupo de 'cantautores' os "Meninos d'Avó" 'choram' a sua sorte, choram talvez a nossa.
Nasci a cerca de 100 metros do Rio Tejo e agonio com ele.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Aquecimento Global - O Planeta Agradece
A conhecida miopia do Poder e do Grande Capital para com as questões ambientais em geral e com o Aquecimento Global em particular, usa agora óculos. Óptimo, pensamos nós tentando descobrir que superiores desígnios motivaram esta inesperada e exacerbada sensibilidade: talvez os reiterados avisos de cientistas, ambientalistas e sociólogos para a catástrofe ambiental e humanitária que se avizinha à escala global, ou talvez os repetidos apelos de políticos mais ou menos avisados como Al Gore.
Mas não, o Oftalmologista responsável por estas vistas largas responde pelo nome de Sir Nicholas Stern. Não, não é um ambientalista, é mesmo um Economista.
Stern foi é um dos mais reputados especialistas financeiros do Reino Unido, economista-chefe e vice-presidente do Banco Mundial entre 2000 e 2003, membro da Academia Britânica e da Academia Americana das Artes, e produziu um estudo sobre os efeitos do aquecimento na Economia, que conduziu ao famoso Relatório Stern, sob encomenda de Gordon Brown, futuro Primeiro Ministro Britânico. O resultado do estudo mostrou-se alarmante apontando para que, se nada for feito, o clima poderá aquecer até 5ºC, e as alterações climáticas custarão anualmente, no futuro, entre 5% e 20% de toda a riqueza produzida no planeta: qualquer coisa como 5,5 biliões de euros por ano a partir do final deste século, ou seja 37 vezes o PIB português.
Trezentos milhões de pessoas poderão tornar-se refugiados climáticos e 40% das espécies animais correrão o perigo de extinção. Mas o estudo também trás boas notícias: o colapso económico poderá ser evitado se um conjunto de países mais abastados investirem anualmente 1% do seu PIB em medidas concretas de prevenção do aquecimento global. Stern conseguiu convencer o poder e o capital que combater as alterações do clima é um investimento como outro qualquer – semear hoje um euro para amanhã colher vinte, quem sabe mais... Feito o aviso, começámos a assistir à correria desenfreada dos líderes mundiais para apresentarem as suas soluções e investimentos em projectos que visem deter o aquecimento global.
Paul Wolfowitz, ex falcão neo-conservador da Administração Bush e actualmente presidente do Banco Mundial regozijou-se com “a fundamental análise económica dos assuntos relacionados com as alterações climáticas” do Relatório, John Howard, primeiro ministro Australiano, que nunca ratificou o Protocolo de Quioto, anunciou um investimento de 38 milhões de euros em projectos que ajudassem reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, e até o próprio Bush parece hoje querer fazer tábua rasa da sua alarve atitude de negação do processo de alterações climáticas e abrir os EUA a futuras iniciativas neste sentido.
Para além do que sustenta James Hansen - “Quanto aos aspectos técnicos, fazer parar a subida da temperatura global para menos um grau Celsius está inteiramente ao nosso alcance. Tudo depende agora de um público informado que reforce a vontade política dos dirigentes deste planeta em aquecimento.”, um Grande Capital informado e preocupado parece valer mais do que mil milhões de terráqueos motivados. Não será pelos melhores motivos, mas, neste caso, a hipocrisia é bem vinda, os fins justificam os meios e o Planeta agradece.
Obrigado Sir Stern.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Lotação Esgotada?
Documentário: Quantas Pessoas Cabem Na Terra?
Título original: How Many People Can Live On Planet Earth
"Num programa especial, o naturalista Sir David Attenborough investiga se o mundo ruma para uma crise populacional. Na sua longuíssima carreira, ele observou que a população humana passou de 2.5 biliões em 1950 para quase 7 biliões."
Gravado no canal RTP2 dia 14.09.2010
Legendado em português (PT-PT)
Quantas Pessoas Cabem Na Terra - How Many People Can Live On Planet Earth from MDDVTM VIDEOS on Vimeo.
Título original: How Many People Can Live On Planet Earth
"Num programa especial, o naturalista Sir David Attenborough investiga se o mundo ruma para uma crise populacional. Na sua longuíssima carreira, ele observou que a população humana passou de 2.5 biliões em 1950 para quase 7 biliões."
Gravado no canal RTP2 dia 14.09.2010
Legendado em português (PT-PT)
Quantas Pessoas Cabem Na Terra - How Many People Can Live On Planet Earth from MDDVTM VIDEOS on Vimeo.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
O SEGREDO DO LAGO VOSTOK
O homem está próximo de realizar uma das prováveis maiores descobertas do século. O lago Vostok representa possibilidades de resposta sobre questões essenciais do nosso planeta - e até mesmo de outros.Faz parte da natureza humana a curiosidade, essa fascinante força motriz para a descoberta e, consequentemente, para o conhecimento. Habitamos um mundo que contém demasiadas espécies de vida, com as quais coexistimos sempre. E é de nosso feitio explorar, analisar e muitas vezes usurpar aquilo que queremos compreender. Com o lago Vostok a curiosidade não é diferente, mas o homem age com muita cautela na exploração deste lugar que pode conter informações preciosas e, até agora, únicas.
Em 1957, os russos estabeleceram uma remota base na Antárctida, a estação Vostok, lugar este que teve a mais baixa temperatura da história do planeta registada pelo homem: - 89º C. Manter esta estação por questões logísticas, como suprimento dos integrantes, foi algo difícil e, se não fosse por causa do lago, o nome Vostok se perderia facilmente na história. O que aconteceu, entretanto, foi que nos anos 70 os britânicos sobrevoaram esta área utilizando um radar aéreo e, ao passarem pela estação Vostok, foi recebido um sinal compatível a um sobrevoo marítimo. Mais 20 anos foram necessários para que as suspeitas fossem confirmadas e assim um satélite apontou a existência de água 4 km abaixo da superfície. Um lago de 250km de comprimento e 50 km de largura (na sua parte mais larga).
A existência de água no lugar mais frio da planeta aparentemente não faz sentido, mas existe uma explicação geológica para isso: abaixo da crosta terrestre existe o que os geólogos chamam de manto, rochas de vasta profundidade e consistência viscosa, com temperaturas que variam de 600º C até 3.500º C (as lavas oriundas de actividades vulcânicas se formam nesta camada). Desta forma seria possível que, em épocas remotas, cataclismos criassem uma estrutura propícia para a formação de um lago abaixo do gelo. Acima do lago existe ainda uma espessa camada de gelo que serve como um isolante térmico, garantindo seu estado líquido.
O fascínio científico pelo lago Vostok deve-se à sua imaculada propriedade física. Acredita-se que sua água deva possuir mais de 500 milhões de anos e desta forma organismos primitivos como bactérias poderiam ter atravessado eras, protegidos completamente de qualquer tipo de exposição ambiental.
Uma importante questão levantada em torno das especulações sobre a vida no lago Vostok foi a da necessidade da luz para a existência de vida, uma premissa que já foi devidamente quebrada. Nas profundezas dos oceanos e de cavernas, onde a luz solar não consegue chegar, existem diferentes espécies de animais bastante activos e com um organismo diferenciado. Normalmente de coloração transparente e cegos, estes peixes e insectos evoluíram eficientemente para sua sobrevivência, o que contribui para a hipótese de existência de vida no lago Vostok.
Outro indício ainda mais contundente foi a descoberta em 2005 de que o lago possui movimentação, correnteza. O posicionamento da lua e do sol alteram a sua superfície, fazendo com que ele expanda até 2 cm e, desta forma, compreendendo que movimento é energia, a tese da possibilidade de vida é mantida.
Essa possibilidade chamou atenção também da NASA, por um motivo bastante intrigante. Em nosso sistema solar, outros planetas também possuem luas e, no caso de Júpiter, existe uma lua em especial, chamada Europa, que contém uma superfície similar à da região da Antárctida onde está o lago Vostok. Desta forma, a comprovação de vida nas profundezas da região gélida séria um importante indício da possibilidade de vida extraterrestre.
Em 2001, o laboratório Jet Propulsion começou a criar uma espécie de broca altamente sofisticada chamada “Cryobot”, que seria a chave para alcançar esta água intocável pelo homem e por todo ecossistema, e assim obter uma amostra segura sem contaminação. Pretende também lançar ao lago o “Hydrobot”, uma máquina que servirá como câmara submarina e mostrará o que contêm as misteriosas águas do lago Vostok, estando fadada a permanecer aí para sempre.
Entretanto, esta expedição tem um carácter extremamente minucioso, uma vez que o contacto indevido da broca ou demais equipamentos com a água contaminaria toda a amostra, logo o resultado seria inválido e o estado primordial das águas estaria perdido para todo o sempre. É que a água estará intacta apenas uma vez (a tão famosa virgindade dando o seu ar da graça). A solução para o problema será a troca do aparelho usado nos últimos metros de perfuração, recorrendo a uma tecnologia de auto-esterilização.
CRYOBOT
No início de 2010, o líder da expedição russa, Valery Lukin, revelou que faltariam apenas 100 metros para alcançar a água, e o laboratório físico nuclear de São Petersburgo está criando os últimos equipamentos necessários para o ato final. Espera-se chegar à água na corrente expedição, de 2011-2012, quando todo o equipamento necessário estiver pronto para utilização. A perfuração continuará a uma velocidade de 4 metros por dia.
Questões universais como de onde viemos, para onde vamos, se existe vida em outro lugar, são comummente ouvidas a gente hipócrita fazendo voz esdrúxula para imitar um suposto filósofo, cientista. É uma reacção medíocre (na média) desprezar aquilo que não compreendemos; no entanto, tem gente que leva isso a sério. Em breve estes cientistas poderão medir quão impactantes serão as provas obtidas no lago Vostok e assim dar continuidade à sua saga na busca de respostas. Boa sorte para eles, e que utilizem as informações com sabedoria, para o bem.
Tiago Vargas in OBVIOUS
Em 1957, os russos estabeleceram uma remota base na Antárctida, a estação Vostok, lugar este que teve a mais baixa temperatura da história do planeta registada pelo homem: - 89º C. Manter esta estação por questões logísticas, como suprimento dos integrantes, foi algo difícil e, se não fosse por causa do lago, o nome Vostok se perderia facilmente na história. O que aconteceu, entretanto, foi que nos anos 70 os britânicos sobrevoaram esta área utilizando um radar aéreo e, ao passarem pela estação Vostok, foi recebido um sinal compatível a um sobrevoo marítimo. Mais 20 anos foram necessários para que as suspeitas fossem confirmadas e assim um satélite apontou a existência de água 4 km abaixo da superfície. Um lago de 250km de comprimento e 50 km de largura (na sua parte mais larga).
A existência de água no lugar mais frio da planeta aparentemente não faz sentido, mas existe uma explicação geológica para isso: abaixo da crosta terrestre existe o que os geólogos chamam de manto, rochas de vasta profundidade e consistência viscosa, com temperaturas que variam de 600º C até 3.500º C (as lavas oriundas de actividades vulcânicas se formam nesta camada). Desta forma seria possível que, em épocas remotas, cataclismos criassem uma estrutura propícia para a formação de um lago abaixo do gelo. Acima do lago existe ainda uma espessa camada de gelo que serve como um isolante térmico, garantindo seu estado líquido.
O fascínio científico pelo lago Vostok deve-se à sua imaculada propriedade física. Acredita-se que sua água deva possuir mais de 500 milhões de anos e desta forma organismos primitivos como bactérias poderiam ter atravessado eras, protegidos completamente de qualquer tipo de exposição ambiental.
Uma importante questão levantada em torno das especulações sobre a vida no lago Vostok foi a da necessidade da luz para a existência de vida, uma premissa que já foi devidamente quebrada. Nas profundezas dos oceanos e de cavernas, onde a luz solar não consegue chegar, existem diferentes espécies de animais bastante activos e com um organismo diferenciado. Normalmente de coloração transparente e cegos, estes peixes e insectos evoluíram eficientemente para sua sobrevivência, o que contribui para a hipótese de existência de vida no lago Vostok.
Outro indício ainda mais contundente foi a descoberta em 2005 de que o lago possui movimentação, correnteza. O posicionamento da lua e do sol alteram a sua superfície, fazendo com que ele expanda até 2 cm e, desta forma, compreendendo que movimento é energia, a tese da possibilidade de vida é mantida.
Essa possibilidade chamou atenção também da NASA, por um motivo bastante intrigante. Em nosso sistema solar, outros planetas também possuem luas e, no caso de Júpiter, existe uma lua em especial, chamada Europa, que contém uma superfície similar à da região da Antárctida onde está o lago Vostok. Desta forma, a comprovação de vida nas profundezas da região gélida séria um importante indício da possibilidade de vida extraterrestre.
Em 2001, o laboratório Jet Propulsion começou a criar uma espécie de broca altamente sofisticada chamada “Cryobot”, que seria a chave para alcançar esta água intocável pelo homem e por todo ecossistema, e assim obter uma amostra segura sem contaminação. Pretende também lançar ao lago o “Hydrobot”, uma máquina que servirá como câmara submarina e mostrará o que contêm as misteriosas águas do lago Vostok, estando fadada a permanecer aí para sempre.
Entretanto, esta expedição tem um carácter extremamente minucioso, uma vez que o contacto indevido da broca ou demais equipamentos com a água contaminaria toda a amostra, logo o resultado seria inválido e o estado primordial das águas estaria perdido para todo o sempre. É que a água estará intacta apenas uma vez (a tão famosa virgindade dando o seu ar da graça). A solução para o problema será a troca do aparelho usado nos últimos metros de perfuração, recorrendo a uma tecnologia de auto-esterilização.
CRYOBOT
No início de 2010, o líder da expedição russa, Valery Lukin, revelou que faltariam apenas 100 metros para alcançar a água, e o laboratório físico nuclear de São Petersburgo está criando os últimos equipamentos necessários para o ato final. Espera-se chegar à água na corrente expedição, de 2011-2012, quando todo o equipamento necessário estiver pronto para utilização. A perfuração continuará a uma velocidade de 4 metros por dia.
Questões universais como de onde viemos, para onde vamos, se existe vida em outro lugar, são comummente ouvidas a gente hipócrita fazendo voz esdrúxula para imitar um suposto filósofo, cientista. É uma reacção medíocre (na média) desprezar aquilo que não compreendemos; no entanto, tem gente que leva isso a sério. Em breve estes cientistas poderão medir quão impactantes serão as provas obtidas no lago Vostok e assim dar continuidade à sua saga na busca de respostas. Boa sorte para eles, e que utilizem as informações com sabedoria, para o bem.
Tiago Vargas in OBVIOUS
Subscrever:
Mensagens (Atom)







